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TRABALHO E IDEALISMO 

Aos 92 anos, o ministro pernambucano Minervino Fiúza Lima, primeiro representante do Norte e Nordeste a ocupar o cargo de juiz classista no Tribunal Superior do Trabalho, é um exemplo de luta e pioneirismo. De integrante da Marinha de Guerra do Brasil a ministro do TST, com passagens pela cena política nacional, Fiúza Lima tem-se mantido atuante no que se refere ao acompanhamento das principais questões do país.

Ainda muito jovem ingressou nas Forças Armadas quando o Brasil decidiu participar da I Guerra Mundial. Era aluno da Escola de Aprendizes Marinheiros de Pernambuco. Demonstrando interesse em seguir a carreira militar, passou a cursar a Escola Grumetes, na Ilha das Enxadas, no Rio de Janeiro, voltando-se para a especialização em enfermagem de bordo.

Em 1922, abandonou a Armada e aderiu ao movimento revolucionário deflagrado contra o regime, durante o governo do presidente Epitácio Pessoa. Em seguida, ingressou na Escola de Ciências e Letras do Rio de Janeiro. Após a conclusão do curso, iniciou a carreira política, em 1929, filiando-se ao Partido da Aliança Liberal, que apoiava a campanha presidencial de Getúlio Vargas.

No ano seguinte, Fiúza Lima participou da Revolução de 30, comandando a Vanguarda Praieira, constituída, em sua maioria, por pescadores, e criada com o apoio do chefe militar da revolução na região, o então capitão Juarez Távora, e do chefe civil, José Américo de Almeida. Retornou à Marinha beneficiado por um decreto de anistia, mas pediu baixa.

Submetido a concurso público foi nomeado para o quadro de pessoal da Diretoria Geral de Navegação, começando, a partir daí, a exercer atividades de jornalista e sindicalista. Foi um dos fundadores do jornal "O Estado", editado em Alagoas.

Em 1946, Fiúza Lima participou da fundação do PTB em Pernambuco, tendo sido escolhido para ser o primeiro presidente do partido no Estado. No mesmo ano foi nomeado presidente da Caixa de Aposentadoria e Pensões dos ferroviários da antiga Great Western, no Recife. Logo depois era indicado assistente sindical pelo então ministro do Trabalho, Otacílio Negrão de Lima. Na qualidade de bolsista, visitou os Estados Unidos a convite do Department of Labor.

A experiência levou-o a afastar-se da política partidária, que trocou pelo sindicalismo ativo. Chegou a fundar vários sindicatos e foi diretor da Confederação Nacional dos Trabalhadores no Comércio e um dos fundadores da Confederação Internacional de Organizações Sindicais Livres, em Londres, e da Organização Interamericana do Trabalho, na América Latina.

Em 1953, Fiúza Lima foi nomeado juiz vogal da Justiça do Trabalho da 6a Região, representando os empregados e atuando na 1a e 3a Juntas do Recife. Em novembro de 1960, foi indicado ministro do TST pelo então presidente da república Juscelino Kubitschek. Permaneceu sete anos no Tribunal Superior do Trabalho, destacando-se na apreciação dos litígios entre o capital e o trabalho. Foi aposentado após 42 anos de serviço público pelo ex-presidente Costa e Silva.